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uma fangirl obsessiva compulsiva opina e partilha a sua experiência sobre livros de ficção

sobre o blog

uma fangirl obsessiva compulsiva decidiu fazer um blog onde opina e partilha a sua experiência sobre livros de ficção, alguns já existentes em portugal, alguns ainda em tradução e outros sem lançamento previsto nesta miniatura de país.

remember. (QUASE) TODAS AS REVISÕES TÊM SPOILERS, POR ISSO BE AWARE!

Vampire Academy - filme

Cá estamos em mais um dia de revisão de uma adaptação cinematográfica. E infelizmente, não é um dia alegre para as adaptações cinematográficas. Sei que já disse isto mil vezes, mas vou voltar a repetir, porque o blog é meu e eu faço o que eu quiser: antes de o trailer deste filme sair, eu já conhecia os livros á muito tempo, e sabia que muita gente adorava a série. Quando vi o primeiro trailer, deu-se-me uma coisinha má e tive de me certificar que, havendo tanta gente a adorar a colecção de 6 livros, o filme não poderia ser assim tão horrível como o que aquele trailer transparecia.

 

Agora, depois de 95 minutos de filme, começo a achar os meus primeiros instintos são os que normalmente se concretizam. Desde já quero pedir para existindo a possibilidade de comentarem este post, manterem a educação que os vossos pais vos deram, e que se lembrem que nem todas as pessoas têm de gostar do que vocês gostam. Eu sei que houve imensos fãs a adorar o filme, mas eu não.

 

Existem muitas pessoas a dizer-me 'ah, mas não podes ir para uma sala de cinema à espera que façam tudo igual ao livro, nem há tempo para isso'. E a minha resposta é: façam mais tempo. 95 minutos (ou comummente conhecido como hora e meia) não é nada. NADA. Não há tempo de se conhecerem as personagens ou se criar qualquer empatia com elas, não há tempo para desenvolver ligações emocionais entre as personagens, não há tempo de criar (ou neste caso, adaptar) uma história com lógica, porque é tudo a correr.

 

Isto entristece-me sinceramente. Não tenho visto uma adaptação de um livro YA ultimamente que tenha sido de jeito (não contando com os filmes THG). É claro que vão gozar com as bookworms que dizem que gostam 'disto' ou 'daquilo'; com filmes destes, até eu gozava. Eu senti-me envergonhada com este filme. E apesar de ser toda tímida e esquisita, eu nunca me sinto envergonhada dos meus gostos, porque não devo nada a ninguém e ninguém tem o direito de me julgar quando têm gostos bem piores reprimidos no ínfimo dos seus quartos (isto soou pior que o esperado; o que eu queria dizer é que há gente a mandar piada estúpidas quando depois gosta de outras coisas que sente que não pode dizer em voz alta com medo de ser alvo de chacota). Desta vez, se tivesse existido um buraco na sala, eu tinha-me enfiado lá, tal era o quão encolhida eu me sentia.

 

 




Um aspecto que eu quero já frizar: eu não gostei do Mean Girls. Quando foi revelado o realizador deste filme, não fiquei histérica com a possibilidade de todo o humor sarcástico que iria existir no filme. Mas como só tinha visto o MG aos pedaços, decidi que, antes de ver o VA, ia relembrar o primeiro, e voltei a não achar nada de especial ao filme que muitos dizem que marca uma geração.

Como já disse anteriormente, senti-me estafada no final do filme, tal foi a maratona que corri. Não me venham com tretas de que não se consegue colocar o desenvolvimento de personagens num filme de adaptação como está descrito no livro. Quantos, pergunto eu, quantos filmes de não adaptação já foram feitos, com cabeça, tronco e membros, em que fomos assistindo gradualmente a uma mudança de personalidade bem feita e verosímil? AH, então não me venham com frases feitas.

Uma das coisas que me surpreendeu foi a interpretação dos actores. Numa palavra: terrível. Quando digo que foram terriveis, não quero dizer que são actores horriveis, só agiram de maneira horrivel (eu sei que parece a mesma coisa, mas não é). Fui das poucas pessoas a dizer que não se deveria julgar os actores mesmo não sendo eles o que tinham envisionado na nossa cabeça, porque o talento está onde menos se espera. Mas em geral, atrevo-me a dizer que a maioria das actuações neste filme roçou de muito perto a 5ª categoria. De todos os actores, só conhecia a Sarah Hyland, que para mim foi quem melhor se conseguiu por na pele da sua personagem. Até o Danila! Jesus... Eu dei-me ao trabalho de ter assistido ao Dukhless, com legendas traduzidas de romeno para inglês no google tradutor! Eu fiquei impressionada com o filme e a interpretação dele! Eu morri na praia com o Vampire Academy! E o que me leva a pensar que a culpa não é dos actores é que, salvo um ou outro, todos tiveram pelo menos uma cena onde eu de facto  gostei do acting. Ora, se conseguem fazer uma ou outra cena bem, não conseguem no resto do filme? Seja das direcções de realização ou da produção em geral, as cenas e o guião pareceram excessivamente forçadas e falsas, não representando o que seria a normalidade adolescente numa escola onde supostamente tudo era igual no que tocava a assuntos relacionados com high school.

Vou agora falar-vos da minha opinião à cerca das personagens principais:
- Rose: ugg, não sei se o eu não ter gostado dela é bom ou mau, visto que também odiei a Rose nos dois primeiros livros. Não achei a interpretação da Zoey especialmente fantástica, algumas vezes vi realmente a Rose dos livros, que parecia tão badass mas depois tinha medo dos strigoi e a Rose com coração no sitio quando pediu ao outro tolo para ir dançar com a Natalie, outras vi uma expressão tão plástica da personagem que só me apetecia vomitar.
- Dimitri: não fiquei de todo desimpressionada, à parte de raras forçabilidades, foi um bom personagem no grande ecrã, com as características certas. O sotaque russo, embora relativamente esquisito, foi muito acolhedor. Gostava que tivesse aparecido mais.
- Lissa: totalmente desagrada com esta interpretação. Não vi nenhuma vez a Vasilisa que eu adoro. E a culpa nem é da Lucy, eu simplesmente não... a Lissa do filme foi desenvolvida tão mal que nem o problema maior que deveria ser correctamente abordado (a auto-mutilação) foi credível.
- Christian: foi das únicas que não escapou muito à realidade, com mais uma vez cenas tolas e nada realistas, mas agradou-me o modo como o transpuseram a personagem do livro para a grande tela.
- Mason: outra personagem completamente afastada da real, nada a ver, nope.

É claro que não foi tudo muito mau, lá consegui encontrar uma ou outra coisa no meio de toda a confusão, como algumas cenas que mantiveram idênticas ao livro (ex: a Rose a mentir descaradamente ao Christian e dizer-lhe que a Lissa não queria nada com ele) e outros detalhes. Apesar disso, sinto que a promoção com trailers e stills e tudo mais foi tão agressiva que (e tendo em conta que o filme é curtíssimo) vi todo o filme na colectânea de publicidade que se fez. Acredito cada vez mais que toda a discrepância do real, com falas e emoções que nunca se presenciariam na realidade, é culpa da realização, porque também assisti a isso no MG. A acrescentar à grande lista de coisas que me fizeram revirar os olhos estão as piruetas que se fizeram nas cenas de acção e luta. Podiam ter sido fantásticas, a primeira cena de luta com os strigoi foi espectacular mas depois põem os actores a rodopiar, como se de facto as pessoas fossem pensar em fazer movimentos de ballet no momento em que tentam defender a vida. Não achei as piadas nada de extraordinário, nem as saídas sarcásticas, os escritores que escreveram o script claramente não sabem o que é sarcasmo ou ironia. Foi uma lamechada completa (não no sentido romântico e meloso) mas maioritariamente porque ninguém, no seu perfeito juizo, se identificaria com nenhum dos aspectos psicológicos das personagens.

Em conclusão, não me admira nada o género 'YA-Paranormal' estar tão mal visto. Espero sinceramente que não façam o Frostbite, porque quero alguma dignidade restante para as personagens que aqui não forem apresentadas (ex: Adrian). Por fim, deixo-vos com uma tabela de tópicos do que eu mais e menos gostei (que é mais fácil do que estar aqui a escrevinhar) deste filme:

Bom Mau
  • A primeira cena com strigoi
  • Piadas relativas a outros vampiros cintilantes;
  • Deixarem as palavras-chave do universo de VA no ecrã enquanto enquadravam a história;
  • A Lissa a 'acreditar' que o outro moço podia voar;
  • O Mason a ficar 'friendzoned' quando se preparava para beijar a Rose no baile;
  • Os emblemas de cada família Moroi;
  • A entrada da Lissa, da Rose e da Natalie no baile;
  • O Dimitri no ginásio a 'brincar' com as argolas; xD
  • A Mia a usar a Água para se meter com a Lissa;
  • Introdução do St. Vladimir e da Anna durante o sermão na igreja;
  • O bullying feito á Lissa;
  • Dimitri a explicar a história da família;
  • Cena do ginásio em que a Rose acabou debaixo do Dimitri (boa interacção e com uma cumplicidade real);
  • Sonho da Lissa onde eram todos strigoi;
  • Dimka de boxers pretos :$;
  • 'My roza...'
  • A cena final entre o Dimka e a Rose no jardim;
  • Discriminarem as fãs 'obcessivas' de vampiros, esquecem-se que sem elas não tinha havido filme nenhum;
  • Dizerem que só se matam strigoi com a estaca de prata (e a decapitação e o fogo, ficou em casa?);
  • A maioria dos planos de compulsão da Lissa;
  • A cena do colar entre o Dimitri e a Rose (como o Dimka disse, horrível);
  • Cenas forçadas, como o Dimitri a levantar o cabeço antes de coçar a nuca (só para mostrar as marcas);
  • A rainha Tatiana ter um outro apelido que não Ivashkov: se existir Frostbite tou para ver como vão explicar os laços familiares entre ela e o Adrian;
  • O Christian ter de acenar para queimar o papelinho quando nem se quer se mexeu quando incendiou o outro tolo;
  • O corvo morrer só de ir ao encontro da estátua (wtf...);
  • O Dimka perceber, sem nunca ter estado afastado das miguitas durante a viagem de regresso, que elas comunicavam uma com a outra mesmo não estando no mesmo espaço;
  • A Rose falar em voz alta enquanto 'está' na Lissa, quando ela sabe muito bem que a ligação é unidireccional;
  • Em duas ou três vezes que a Rose viu o Dimka, decidiu que já estava apaixonada;
  • O diálogo entre a Rose e o Mason... não;
  • Pirueta onde a Lissa acabou nos braços do Christian (no baile);

 

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