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uma fangirl obsessiva compulsiva opina e partilha a sua experiência sobre livros de ficção

sobre o blog

uma fangirl obsessiva compulsiva decidiu fazer um blog onde opina e partilha a sua experiência sobre livros de ficção, alguns já existentes em portugal, alguns ainda em tradução e outros sem lançamento previsto nesta miniatura de país.

remember. (QUASE) TODAS AS REVISÕES TÊM SPOILERS, POR ISSO BE AWARE!

meter o bedelho na leitura alheia

A minha mãe sempre me ensinou que a coscuvilhice é feia e que não nos devemos intrometer nos assuntos das outras pessoas, mas o que é verdade é que toda a gente, pelo menos uma vez na vida, já meteu o nariz onde não era chamado. E julgou os outros sem ninguém lhes pedir opinião, ou estou enganada?

 

Um exemplo muito infeliz que aconteceu na vida real há alguns meses: estava eu no bar da faculdade a comer uma empanadilha de atum, completamente farta das aulas, num dia em que entrei às 8:30h e saía às 20:00h, quando vejo uma senhora (que eu presumo que fosse professora) a beber um chá enquanto lia o seu livro. Eu esticava-me, contorcia-me para ver a capa ou a lombada, para saber o título do livro, quando acabei por desistir. Minutos depois a senhora acaba o seu chá, fecha o livro e eis senão que eu vejo '50 Sombras Mais Negras'. Imediatamente olhei para a senhora com outros olhos, com aqueles que toda a gente olha quando se fala nesta trilogia. Eu, que li os três livros durante as aulas teóricas de Genética (desculpe professora, mas num auditório da cave que dava para 100 alunos e onde só estavam 13, às escuras e a ver slides a passar sobre fragmentos de Okazaki... o Christian Grey foi melhor), que moral tive eu para julgar a senhora?

 

 

É por estas e por outras que quando me perguntam 'que livro estás a ler' a minha resposta é 'não conheces'. Porquê? Porque por muito maravilhoso (ou não) que seja o livro, o receptáculo da minha resposta vai, de uma maneira ou de outra, fazer juízos de valor sobre a minha pessoa de acordo com o livro que eu estou a ler.

 

E se me estivesse a apetecer ler um daqueles livros mesmo pirosos? Ou não? E se o livro que alguém estiver a ler, por mais horrível que nós achemos que seja, faça feliz a pessoa que o lê? Não é esse o intuito da leitura, proporcionar experiências, por mais diversas que elas sejam, aos leitores? Nem todos podemos andar a ler Tolstoi todos os dias da vida, e nem todos os que o fazem são leitores que mereçam a denominação. Deixemos as pessoas ler sobre vampiros cintilantes que não queimam ao sol (que eu li e gostei muito) ou sobre porcos voadores que reinam em florestas desconhecidas, o que é que isso influência a nossa felicidade? Não existe já bullying psicológico o suficiente, ainda tem de haver pessoas com medo de dizer o que estão a ler ou a admitir que géneros gostam, por muito que outras pessoas não gostem, de discutir histórias e partilhar sentimentos? 

Isto tudo para dar os parabéns à senhora que não teve preconceitos nenhuns e que num local público, cheio de gente entre os 17 e os 25, alguns com a mania das grandezas, não se acanhou e leu o seu livro em paz, sem ter de andar com capinhas foleiras a tapar o livro para que ninguém a julgasse.

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