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uma fangirl obsessiva compulsiva opina e partilha a sua experiência sobre livros de ficção

sobre o blog

uma fangirl obsessiva compulsiva decidiu fazer um blog onde opina e partilha a sua experiência sobre livros de ficção, alguns já existentes em portugal, alguns ainda em tradução e outros sem lançamento previsto nesta miniatura de país.

remember. (QUASE) TODAS AS REVISÕES TÊM SPOILERS, POR ISSO BE AWARE!

A Rapariga Que Roubava Livros (The Book Thief)

 

 

Autor: Markus Zusak

Edição Portuguesa: Editorial Presença

 

Sinopse

Molching, um pequeno subúrbio de Munique, durante a Segunda Guerra Mundial. Na Rua Himmel as pessoas vivem sob o peso da suástica e dos bombardeamentos cada vez mais frequentes, mas não deixaram de sonhar. A Morte é a narradora omnipresente e omnisciente e através do seu olhar intemporal, é-nos contada a história da pequena Liesel e dos seus pais adoptivos, Hans, o pintor acordeonista, e Rosa, a mulher com cara de cartão amarrotado, do pequeno Rudy, assim como de outros moradores da Rua Himmel, e também a história da existência ainda mais precária de Max, o pugilista judeu, que um dia veio esconder-se na cave da família Hubermann. Um livro sobre uma época em que as palavras eram desmedidamente importantes no seu poder de destruir ou de salvar. Um livro luminoso e leve como um poema, que se lê com deslumbramento e emoção.

 

Opinião

Eu tenho um interesse especial pela Segunda Guerra Mundial. É algo que vai para além de mim e da qual eu não tenho grande orgulho em confessar. Como o próprio autor diz, como é que alguma coisa pode ser tão horrível e gloriosa ao mesmo tempo? Nenhumas outras palavras podiam descrever tão bem o meu sentimento. O holocausto é algo tão terrível e abominável e afecta uma imensidão de gente inocente que se torna assutador e igualmente grandioso (não no bom sentido da palavra, obviamente, mas não há quem consiga negar que se não se tratasse de uma mancha tão grande na nossa história, de eventos que mudaram as vidas de tantas pessoas. Como é que algo consegue ser tão devastador à escala mundial é precisamente aquilo que me atrai para este tipo de histórias.

 




A minha história com este livro é um bocado complicada. Descubri-o pela primeira vez, há já alguns anos, na fnac, mas depois vi o preço e assustei-me. E ficou em espera até ao passado Natal, onde então gastei os 20€. O começo da leitura também não foi dos melhores, porque eu não li a sinopse e não vi que era a 'morte' a narrar, e embora no meu curso veja mortos a torto e a direito sem qualquer problema, tenho alguns conflitos pessoais com a cessação da vida. Felizmente, o autor prendeu-me logo a atenção com pequenos grandes detalhes, que para mim fizeram toda a diferença logo nos primeiros capítulos: o facto de todas as vezes que a morte encontrou a Liesel o céu estar de uma determinada cor e depois essas cores representarem um símbolo tão aclamado e conhecido (não vou dizer qual é, mas não é difícil descobrir).

Como podem perceber através da sinopse, a história conta a vida da Liesel Meminger. Não quero nem vou spoilar-vos, porque este não é daqueles livros que ao contar alguma cena se torna mais interessante; pelo menos para mim, fez-me tão bem ler o livro sem ter nada sabido ou nada por que esperar e apenas admirar o decorrer da história e o encadeamento de acontecimentos na vida da pequena. Gostei imenso da maneira crua como as personagens foram criadas; apesar de não ter referência nenhum, esperava sinceramente (como espero de todas as histórias desta terrível época) que fosse diferente, esperava que fosse uma história feliz. Nem eu própria sei porque faço isto, é insconsciente, estou sempre à espera que se conte uma história em que não haja sofrimento e que a percepção da realidade seja igualmente conseguida. Já devia ter juízo com esta idade, como é que nesta situação haveria de existir alguma coisa feliz? Mas de facto, durante grande parte do livro, independentemente dos momentos que assombravam a Liesel (e todos nós temos esses demónios atrás de nós), vi que ela conseguiu ser feliz com o seu papá a tocar acordeão e a Rosa a chamar-lhe saumensch a toda a hora e o Rudy com a sua vontade de beijos e o Max enclausurado numa vida. Não tenho palavras suficientes para descrever estas e outras personagens, algumas um bocadinho mais difíceis de gostar do que outras no principio, mas no fim são todas maravilhosas. 

Se eu chorei com este livro? Querem a verdade ou querem que vos minta? É que se for para mentir, então não, agora já sou muito mais matura e não chorei com uma história fictícia que me tocou e se apoderou do meu coração tão deliciosa e silenciosamente - quase que nem notei por ela. Mas sim, apesar de nem sempre ter gostado da estrutura da escrita, o que me fez gostar mais do livro foi a originalidade e concepção da história e o modo, como já disse, como tão devagarinho e levemente se prendesse em mim como um parasita simbiótico. Chorei e não tenho vergonha de o dizer; chorei pelo meio e chorei no fim e até agora enquanto escrevo isto tenho lágrimas nos olhos. É uma narrativa espectacular, e embora não seja uma história feliz, poderia ser bem pior, tão pior...

Um pequeno à parte final: vi gente sem conta a dizer que este livro devia ser lido nas escolas (e até tem o simbolozinho do plano nacional de leitura). Normalmente tenho sempre algo a dizer sobre isto, mas não desta vez. Provavelmente se fosse obrigada a lê-lo não iria apreciar verdadeiramente a sua essência. Posso apenas dizer, para aqueles que sugerem a sua leitura no 9º ano, que este não é um livro para crianças nem para jovenzinhos; tem muitas coisas que os miúdos de 13/14 anos não iriam saber interpretar e iriam consequentemente por de parte o interesse. 

PS: imaginem a minha reacção quando, no meio do Continente, vejo montes de livros, não com a capa original, mas com o poster do filme. Só me apetecia mandar com o livro á cabeça de alguém! É que ainda por cima agora não fazem aquelas capas desdobráveis que se colocam por cima das originais e se podem tirar, fazem a impressão directa! {#emotions_dlg.skull}

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