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feel the pages

uma fangirl obsessiva compulsiva opina e partilha a sua experiência sobre livros de ficção

sobre o blog

uma fangirl obsessiva compulsiva decidiu fazer um blog onde opina e partilha a sua experiência sobre livros de ficção, alguns já existentes em portugal, alguns ainda em tradução e outros sem lançamento previsto nesta miniatura de país.

remember. (QUASE) TODAS AS REVISÕES TÊM SPOILERS, POR ISSO BE AWARE!

À Procura de Alaska (Looking for Alaska)

 

 

Autor: John Green

Edição Portuguesa: Edições Asa

 

Sinopse

«Na escuridão atrás de mim, ela cheirava a suor, luz do sol e baunilha, e, nessa noite de pouco luar, eu pouco mais podia ver além da sua silhueta, mas, mesmo no escuro, consegui ver-lhe os olhos - esmeraldas intensas. E não era só linda, era também uma brasa.»

Alaska Young. Lindíssima, esperta, divertida, sensual, transtornada... e completamente fascinante. Miles Halter não podia estar mais apaixonado por ela. Mas, quando a tragédia lhe bate à porta, Miles descobre o valor e a dor de viver e amar de modo incondicional. Nunca mais nada será o mesmo

 

Opinião

Bem, já não vinha cá faz algum tempo (exames da faculdade não brincam em serviço...), mas escolhi este livro para o meu regresso porque foi um dos livros que comecei a ler por 'pressão do tumblr' e que no final acabei por simplesmente adorar. Há algum tempo que não lia um livro sobre problemas reais (porque na maioria escolho livros de romance paranormal) e este foi uma boa retorno ao género. Confesso que no inicio a escrita me pareceu um pouco juvenil de mais para o meu gosto, com toda a mudança de escola e o fazer novas amizades.

 

A história está dividida em duas parte, o 'Antes' e o 'Depois', e dentro dessas divisões os capitulos são referenciados como 'X dias antes' e 'X dias depois', proporcionando uma forma diferente de mostrar ao leitor que algum acontecimento determinante está para acontecer (e que eu nunca, mas nunca na vida adivinhava o que seria se não tivesse lido), potenciando a vontade de ler. Além disso, as personagens são apresentadas de uma forma muito leve e fácil, quase como se já as conhecêssemos há imenso tempo, mas sem nunca comprometer a profundidade emocional e o desenvolvimento psicológico das mesmas. No inicio a história foca-se muito do Miles (que é o narrador, mas que eu não caracterizaria como personagem principal) mas no decorrer da história a atenção vai-se dispersando pelos personagens que vão sendo apresentados, sendo que no final existe um todo principal.

 

Das personagens que me agradaram mais, vou destacar a Alaska, que é a típica 'miúda maravilha' para os rapazes, porque é bonita e extrovertida e sabe coisas giras, tipo fazer um bico a um tubo de pasta de dentes para demonstração da cena real. A Alaska foi uma personagem interessante: umas vezes gostava dela, outras vezes já me irritava, mas isso demonstrou ser muito util na minha interpretação do livro, porque fez com que ela fosse quase real para mim (nem sempre estamos bem com uma pessoa, não é verdade?). Achei muito engraçado o nome 'Alaska' ter sido escolhido por ela - e não, não vos vou dizer o nome verdadeiro dela nem o porquê da escolha, porque isso tira o encanto do passado dela - e do facto de ela perceber de trigonometria mais do que o resto das pessoas do grupo. Posso dizer-vos que foi neste último momento que me apercebi de quanto o John Green é capaz de influenciar as nossas vidas; para mim a Alaska era uma miuda gira e simpática que eu nunca diria que seria minimamente inteligente, quanto mais que iria organizar uma sessão de estudo enquanto comiam batatas fritas. Na verdade, foi aqui que me apercebi de quanto... [e agora calma que tive de ir traduzir a palavra, porque não me ocorre em português] [e confirma-se mais uma vez que o Google tradutor é uma nhanha - nem sei porque é que ainda me dou ao trabalho...] [oquei, não me está mesmo a vir à cabeça, a palavra é judgemental] ...podemos ser das pessoas que não conhecemos, só porque sim e sem fundamento nenhum (sim, só porque ela gostava muito de sexo, isso fazia dela menos inteligente ou com menos amizade pelos seus?).

 

 



Numa review rápida, este livro fala de mudança de escola e ajuste social ao novo ambiente, de integração, de descoberta e da exploração de um grupo de adolescentes do mundo que os rodeia, de sermos parvos e livres e jovens e viver-mos cada segundo como se fosse o último. Fala acharmos que sabemos tudo sobre o mundo e acharmos que o temos nas mãos. Fala de amizade e dos bons valores que cada um tem independentemente das circunstâncias em que foi criado e do seu passado, de como podemos ser diferentes dos outros, e ao mesmo tempo sermos tão igualmente inseguros, apaixonados e vibrantes. Fala sobretudo sobre mantermo-nos leais aos que nos querem bem e a quem está do nosso lado nos bons e maus momentos e das perdas que acontecem ao longo da vida, quer estejamos ou não preparados para lidar com elas.

Como podem ver eu deixei de falar 'deles' e passei a falar de 'nós'. Esta é grande mais valia desta história, é que todos somos capazes de nos identificar com uma circunstância ou outra, com este ou aquele personagem, porque a diversidade de personalidades abunda e agrada a todos os géneros e feitios.


 

Mas se isto fosse só filosofia não interessava a ninguém. Existem momentos divertidíssimos que me fizeram rir e sentir-me parte de um 'grupo' de forma activa, tal como se esta gente realmente existisse e eu me preocupasse com eles. Destaco a 'cheer' do Colonel durante o jogo de basket entre equipas rivais:

 

“Cornbread!” he screamed. “CHICKEN!” the crowd responded. “Rice!” “Peas!” And then, all together: “WE GOT HIGHER SATs.”

 

Depois da reflexão 'pós leitura' fiquei com a sensação que este livro deveria ser parte do plano nacional de leitura (não sei se o é ou não), porque na minha experiência enquanto aluna, os livros que nos propõem a ler são tão interessantes como rolhas de cortiça (tirando Os Maias, eu gostei muito d'Os Maias) e ensinam-nos menos do que um episódio de Pokemon. Por algum motivo que, passados dois anos depois de ter abandonado o secundário, ainda desconheço, parece que nas escolas se tem medo de falar de sexo e álcool e drogas sem ser nos típicos 'Aulas de Educação Sexual', onde os professores dão Biologia básica e falam de métodos contraceptivos como se fossem artefactos de museu, e 'Perigos do Álcool e/ou Drogas'. Há que encarar a realidade, porra! Parece que têm medo de falar e mostrar de forma real. Não é como se os alunos nunca tivessem visto nada vindo directamente do youporn, ou das cenas giras dos filmes que passam na televisão (sim, porque hoje em dia, filme que não tiver um grande fandom por trás ou não tiver sexo, não vende).

Era de facto um passo no melhorar da qualidade da educação que um livro como este fosse lido entre docentes e discentes, mas a vergonha nacional ainda vai continuar por mais um tempo, por isso... Agora no fim é que me lembrei d'A Lua de Joana. Bom livro esse. Se calhar o único de jeito que li enquanto andava no básico. Mas nunca o li em aula. Lá está, nunca fundamentam a leitura nas aulas e depois queixam-se que ninguém lê. Porque é muito melhor estar a ler histórinhas de cárácácá dos livros que os professores fizeram e por isso é que são os manuais daquela escola...

 

Recomendo, sem pestanejar sequer, este livro a qualquer pessoa, seja adolescente ou de meia idade, seja pai ou filha. É uma perspectiva realista, mas não exagerada ou crua em demasia, sobre o que se passa entre adolescentes e do que realmente importa ser e ter enquanto humanos. Já para não falar do final surpreendente que me deixou completamente atordoada. Posso dizer-vos que a fama que o John Green tem é sem dúvida merecida, excelente história, excelente forma de escrever. E só porque eu poderia enumerar imensas citações, mas não posso mesmo porque senão estrago-vos a leitura (e ocupo todos os caracteres deste editor de texto), deixo aqui duas das minhas favoritas:

 

“When adults say, "Teenagers think they are invincible" with that sly, stupid smile on their faces, they don't know how right they are. We need never be hopeless, because we can never be irreparably broken. We think that we are invincible because we are. We cannot be born, and we cannot die. Like all energy, we can only change shapes and sizes and manifestations. They forget that when they get old. They get scared of losing and failing. But that part of us greater than the sum of our parts cannot begin and cannot end, and so it cannot fail.”

 

 

“It's not life or death, the labyrinth. Suffering. Doing wrong and having wrong things happen to you. That's the problem. Bolivar was talking about the pain, not about the living or dying. How do you get out of the labyrinth of suffering? [...] The only way out of the labyrinth of suffering is to forgive.”