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feel the pages

uma fangirl obsessiva compulsiva opina e partilha a sua experiência sobre livros de ficção

sobre o blog

uma fangirl obsessiva compulsiva decidiu fazer um blog onde opina e partilha a sua experiência sobre livros de ficção, alguns já existentes em portugal, alguns ainda em tradução e outros sem lançamento previsto nesta miniatura de país.

remember. (QUASE) TODAS AS REVISÕES TÊM SPOILERS, POR ISSO BE AWARE!

Na Sombra do Pecado (Lover Awakened)

 

 

Autora: J. R. Ward

Edição Portuguesa: Casa das Letras

 

Sinopse

Seis guerreiros vampiros, amantes perigosos e irmãos de sangue vêm até si nesta colecção verdadeiramente poderosa.

Este é o terceiro livro da saga da Irmandade da Adaga Negra. Seis guerreiros vampiros, amantes perigosos e irmãos de sangue vêm novamente até si nesta colecção verdadeiramente poderosa. De todos eles, Zsadist é o membro mais aterrorizador da Irmandade da Adaga Negra. Um antigo escravo de sangue que ainda carrega as cicatrizes de um passado cheio de sofrimento e humilhação até ao dia em que salva uma bela fêmea da maldade da Sociedade dos Minguantes. Bella vai ajudá-lo a ultrapassar as feridas do passado tortuoso e a encontrar um futuro ao lado dela…

 

Opinião

Mais um volume (3º) da colecção Irmandade da Adaga Negra. Devo dizer que este é o meu livro preferido até agora (tendo em conta que neste momento estou a ler o oitavo livro) e que só soube que era o da maioria das fãs desta saga tipo... à dois minutos, portanto é sinal que tenho bom gosto. Apesar de ser uma história individualizada, como é habitual nestes livros, é também a continuação do pequeno episódio entre a Bella e o Zsadist que se passou durante o Lover Eternal (depois do corte ponho um fan-art que é tal e qual o modo como eu imaginei a cena). Existe de novo a injecção de personagens e histórias passadas que condicionam o presente: a Bella, que embora ainda fazendo parte da glymera (não digo que seja um jet7, mas é o género de classe social que está no topo da pirâmide), não é propriamente o Victoria Grayson dos vampiros porque no passado fez escolhas que para a gentinha fina não eram muito decentes e que mais tarde a fizeram ter de lidar com as consequências, e o Zsadist, que trás com ele uma bagagem mais pesada que todos os elefantes existentes em África.

Nos livros anteriores, o Zsadist era apontado como o membro mais terrível, mais aterrador, mais implacável de todos os Irmãos, que metia medo à Morte e fazia o Papão meter-se no saco. Honestamente, cheguei a pensar que toda esta descrição depois iria dar numa grande chachada e que quando a história se desenrolasse ele afinal não seria assim tão mau e do pé para a mão iria encontrar o amor e seria magnificamente curado de todos os traumas que andavam naquela linda cabecinha com um corte de cabelo a pente 0. Mas o que me faz amar a J. R. Ward é que ela me troca sempre as voltas, e que conseguiu mesmo construir uma personagem que faz o público sentir vontade de fugir o mais rápido possível.

 



 

quando eu digo que imaginei a cena assim, foi mesmo assim. uns detalhes diferentes, mas de resto...

 

Basicamente, o livro começa tal do ponto de onde o anterior terminou: a Bella foi raptada pelos Lessers, e a partir desse momento o Zsadist pirou ainda mais dos pirulitos. E desatou numa obsessão compulsiva, não só para a encontrar, mas com tudo o que a ligava a ele, ao ponto de ir todos os dias à casa onde ela morava, arrumar as coisinhas dela, estar presente no mesmo espaço que ela esteve e chegar a usar o colar de diamantes que ela usava (e que quase o esganava, mas como ele era masoquista...). As coisas lá se desenrolaram, e quando finalmente a descobriram e a trouxeram para a Mansão, era de pressupor que a ansiedade do rapazito acalmasse um bocado, mas ficou na mesma, chegando ao ponto de ele quase não deixar que a examinassem. Ele lá cuidou dela (sozinho, porque ele não deixava que ninguém se aproximasse), assegurou que ela tivesse uma recuperação total, e quando tudo indicava que eles estavam a percorrer o caminho certo para um final feliz... E o Zsadist volta a fechar-se naquele cubículo de ódio em que tem vivido nos últimos tempos.

 

Para além do romance entre os fofinhos, é de salientar a relação entre os gémeos Zsadist e Phury (que ao ler este livro parecem extremidades diferentes da mesma faca, mas depois de se ler o Lover Enshrined se percebe o quão iguais podem ser...), que é totalmente retorcida. O Phury sofre imensurávelmente pelo irmão, pois mesmo após ter sido ele a salvá-lo da maluca que o mantinha preso como Escravo de Sangue (e sexual) assiste diariamente à sua auto-destruição e ainda o tem de ajudar na nessa tarefa, porque sabe que caso contrário, o Zsadist ainda se mata a tentar anestesiar a dor psicológica (que lhe foi infligida vezes em conta pelas violações da outra maluca e dos amiguinhos dela) com dor física. E ao mesmo tempo apaixona-se também pela Bella, o que faz com que o Zsadist fique ainda pior, mas ao mesmo tempo a tente empurrar para o irmão, porque se acha não-merecedor daquela mulher.

 

Outro facto a destacar desta história, e como eu já tinha dito anteriormente, é a forma como a autora conseguir transpor em palavras a profundidade do trauma do Zsadist. São inúmeras as situações em que nos confrontamos com o quão destruído ele se encontra. Até mesmo quando em situações de convívio com a Bella, as quais chegam a ser desconfortáveis de assistir com tanta antipatia e desagrado que sai dos poros do Zsadist, e que mais tarde (quando ele se encontra sozinho a pensar nela) se percebe que é tudo uma reacção 'alérgica' ao carinho e afecto que as pessoas lhe dão.

 

O decorrer da história proporciona situações engraçadas de ler, como por exemplo o Zsadist ter de ir ajudar a Bella durante a Necessidade (acho que é este o termo em português, basicamente é uma altura da vida das vampiras em que elas sofrem muito com dores e só o 'fazer amor' é que as alivia), ou o facto da Bella demonstrar dia após dia o quão real é o sentimento que ela nutre pelo Zsadist, independentemente seu passado e do seu aspecto físico. Devo dizer que eu adoro a Bella, é a prova viva só depois de passar-mos pelas adversidades da vida é que damos valor ao que verdadeiramente importa e pomos de parte as superficialidade de um mundo fútil. Eu sempre gostei de uma história com muita angústia à mistura, muito sofrimento nas entrelinhas, e depois um final cheio de 'ultrapassar os problemas com o melhor medicamento de todos: o amor', mas depois de ter lido o Na Sombra do Pecado vi-me obrigada a redefinir os meus parâmetros de tristeza e dor que gosto de presenciar numa história. Esta narrativa está maravilhosamente repleta de situações mágoa, dor, aflição que tornam a leitura do desenrolar dos acontecimentos que tornam os pratos da balança ao mesmo nível tão docemente agradável - sim que isto não podia ser só tristeza e nenhuma alegria nem momentos fofinhos.

 

Para minha alegria no final, além de ficarem juntos para sempre e de o Zsadist ultrapassar os esqueletos guardados no guarda-fatos, os olhinhos lindos do Zsadist ficam amarelinhos e a Nalla é concebida. Não perceberam? Então peguem no livrinho e devorem as páginas desta magnifica história.