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feel the pages

uma fangirl obsessiva compulsiva opina e partilha a sua experiência sobre livros de ficção

sobre o blog

uma fangirl obsessiva compulsiva decidiu fazer um blog onde opina e partilha a sua experiência sobre livros de ficção, alguns já existentes em portugal, alguns ainda em tradução e outros sem lançamento previsto nesta miniatura de país.

remember. (QUASE) TODAS AS REVISÕES TÊM SPOILERS, POR ISSO BE AWARE!

Trilogia Os Jogos da Fome (The Hunger Games Trilogy)

 

 

Autora: Suzanne Collins

Edição Portuguesa: Editorial Presença

 

Sinopse

Os Jogos de Fome

Num futuro pós-apocalíptico, surge das cinzas do que foi a América do Norte Panem, uma nova nação governada por um regime totalitário que a partir da megalópole, Capitol, governa os doze Distritos com mão de ferro. Todos os Distritos estão obrigados a enviar anualmente dois adolescentes para participar nos Jogos da Fome - um espectáculo sangrento de combates mortais cujo lema é «matar ou morrer». No final, apenas um destes jovens escapará com vida…
Katniss Everdeen é uma adolescente de dezasseis anos que se oferece para substituir a irmã mais nova nos Jogos, um acto de extrema coragem… Conseguirá Katniss conservar a sua vida e a sua humanidade?

Um enredo surpreendente e personagens inesquecíveis elevam este romance de estreia da trilogia «Os Jogos da Fome» às mais altas esferas da ficção científica.

 

Em Chamas

Pela primeira vez na história dos Jogos da Fome dois tributos conseguiram sair da arena com vida. Mas o que para Katniss e Peeta não passou de uma estratégia desesperada para não terem de escolher entre matar ou morrer, para os espectadores de todos os distritos foi um acto de desafio ao poder opressivo do Capitólio. Agora, Katniss e Peeta tornaram-se os rostos de uma rebelião que nunca esteve nos seus planos. E o Capitólio não olhará a meios para se vingar…

 

A Revolta

Contra todas as previsões, Katniss Everdeen conseguiu sobreviver aos Jogos da Fome por duas vezes. Mas mesmo tendo conseguido escapar viva da sangrenta arena, ainda não está a salvo. O Capitólio está cheio de raiva. O Capitólio quer vingança.

 

Opinião

Eu decidi fazer esta opinião em pack compresso, porque já faz algum tempo que li os livros e há-de haver muitos pormenores que me vão escapar... Mais uma vez (e como acontece com grande parte das saga que eu li) eu só tomei conhecimento da existência dos Jogos de Fome porque na altura estava prevista a estreia do filme, e andava tudo num alvoroço porque o The Hunger Games isto, o The Hunger Games aquilo, e Distrito 12 assim, e 'I Volunteer as a Tribute!' assado. Já não se aguentava, então no tumblr, nem vos digo nem vos conto. E para tentar perceber a histeria toda à volta disto decidi pegar nas minhas mãozinhas e sacar no mobile9 (que é onde eu tiro os livros para ler no telemóvel) a trilogia - ups, se calhar não devia dizer que saco os livros da net... anyway, as traduções em Portugal são uma nhanha por isso [o que é mais engraçado é que eu andei na altura à procura e não encontrei e depois de já os ter lido fui dar com eles no site da fnac, e que pelos vistos já tinham sido traduzidos sequer antes de eu ter começado a ler o primeiro volume], mais vale ler o original [por acaso esta foi a primeira vez em que eu li um livro sem ser em papel. depois tomei-lhe o gosto e olha -.

 




Desde o momento em que eu li a sinopse, a história pareceu-me altamente interessante. E então aí fui eu. Penso que não seja necessário fazer aqui o resumo do primeiro livro, porque qualquer pessoa que não tenha vivido debaixo de uma pedra no último ano sabe o que é que se passa com a Katniss e o que acontece depois de ela ser escolhida e ir para os Jogos, nem que seja por ter visto o filme. Ainda bem que eu li primeiro o livro, porque apesar do filme até não ser das piores adaptações que eu vi até hoje, deixou muitos pormenores passar. Do género, a Katniss arranjar o pin do Mockingjay no mercado e não ser a Madge que lho dá (para quem não leu, a Madge é a filha do 'presidente' do Distrito 12, que lhe dá aquela pregadeira - que era de família - antes de ela se enfiar no comboio e ir para o Capitólio e as mortes parecem-me muito mais violentas no livro. Na cena das alucinações por causa das picadas das vespas e a dos lobos mutantes, a descrição das criaturas parece-me mais assustadora, do que propriamente no filme (aqueles lobos pareciam cães...). Outra coisa á qual o livro dá destaque que o filme simplesmente não fez jus é a conexão entre a Katniss e a Rue durante o decorrer dos Jogos. Elas, ao contrário do que se passa no filme, falavam uma com a outra, e eram aliadas (tanto que houve uma cena em que elas manipularam ali o grupo forte do Cato com o queimar de coisas - já não me lembro se isso aconteceu no filme, porque só o vi uma vez e já faz algum tempo, mas acho que não puseram essa cena) onde de facto se viu o quão forte a aliança delas era e quão nas tintas elas estavam para as regras. E nisto tudo ainda não falei do Peeta, nem do Gale. Acho que depois de ler sobre tantos triângulos amorosos, e ficar sempre de um lado, esta foi a primeira vez que eu gostava dos dois participantes masculinos do triângulo mas claro que lá no fundo, preferia o Peeta. E não, agora não me vou por aqui a falar de quão fantástico o Peeta era, porque isto não é nenhum Crepúsculo, não é para andar a escolher Teams como eu vi muita gente a fazer.

 

De facto, os Jogos da Fome é uma grande critica politica com muita imaginação à mistura. Quase que me fez lembrar de quando se escreviam músicas e se faziam filmes com palavras diferentes durante a época antes ao 25 de Abril. Foi uma pena o filme não ter sido tão bem conseguido, porque apesar de o público ser confrontado com o 'terror' e o medo vivido naquela altura, não foi nem uma parte do que eu senti no livro, como por exemplo quando a mãe da Katniss falava que nunca tinha sido escolhida mas que todos os anos sentia o medo de finalmente poder ter de ir para os Jogos, ou quando se revelou a história dos Avox (não sei o termo em português) - que nem sequer apareceram no filme, que vergonha -, que eram mudos não por escolha mas sim porque foram castigados pelo Capitólio e a linguinha deles comida por gatinhos mutantes (provavelmente foi isso que aconteceu, aquele Presidente Snow tinha uma mente mesmo retorcida).

 

No Catching Fire gostei especialmente do contra-fogo do President Snow, que assim sem mais nem menos, toma lá, dá cá, voltas para dentro da arena que é um ar! Penso que durante essas cenas é que o leitor tem uma percepção do quão diabólico e cínico é o Snow, que faz tudo o que for preciso no confronto com os que se lhe opõem (não fosse a história do sangue na boca como é...). Amei o facto deste Jogos serem completamente diferentes, por momentos tive a sensação que me iria fartar de ler todo um evento de Jogos da Fome de novo, mas a Suzanne fez um óptimo trabalho ao inovar o cenário da arena e o método como o jogo funcionava (até parece que estou a falar de um jogo qualquer da playstation e não de um jogo de vida e morte xD). Uma das minhas partes favoritas (sem ser o facto de novamente existir aliança entre os Tributes) foi a cena em que começou a existir os gritos das pessoas que eles amavam. Ya, eu sei, sou um bocado mórbida... Foi tudo muito lindo e fofo (OMG O PEETA DEU UMA PÉROLA À KATNISS, QUE CUTCHI-CUTCHI-CUU +.+), mas depois vieram as naves e aquilo acabou de uma maneira um bocado às três pancadas que não me satisfez.

 

E se a minha insatisfação com o final do segundo livro foi muita, o mesmo se diz durante 75% do Mockingjay. Para mim foi o pior livro, porque eu não gosto nada de guerra, e não porque não estivesse bem estruturado ou porque a história não fizesse sentido. Aliás eu acho que era inevitável que mais tarde ou mais cedo, e com o desenrolar dos acontecimentos, fosse haver uma revolta e que a Katniss fosse elegida como cara da revolução. Foi um choque saber que afinal existia o Distrito 13, mas não sei bem porquê, já estava à espera. Estava-se mesmo a ver que eles iam descobrir um ponto fraco do Capitólio que iria ser uma ajuda preciosa no planeamento da revolução. E aquele Petta mau, e automático, GRRR! Já me estava a fartar um bocado do moço, quer dizer tanta coisa com a Katniss, via-a a ir todos os dias para casa e depois nem sequer se lembrava dela. E o joginho do 'real or not real?' já me metia nojo... (mas quando ele perguntou 'You love me. Real or not real?' aí já gostei *__*)

 

Mas apesar de o The Hunger Games ter sido o meu livro preferido, foi nos outros dois que se revelaram as histórias das minhas personagens favoritas (que foram o Presidente Snow e o Finnick Odair). E como eu gosto de vos spoilar, e para quem ainda não leu e está à espera dos filmes, aqui vai: o Finnick, que é descrito como sendo um playboy, mas de facto tem um coração muito fofinho; depois de ter ganho os Jogos no ano em que foi escolhido, o Snow obrigou-o a prostituir-se no Capitólio, porque pelos vistos as senhoras com as 'pirucas' coloridas gostavam de lavar as vistas a olhar para ele, mas em vez de dinheiro, ele pedia segredos (e isto eu achei genial, porque se prova que o poder não é ter dinheiro nem fama nem sucesso, o poder é ter sabedoria para usar contra os outros ninguém quer ver os podres a descoberto - isto agora parecia uma cena do Game of Thrones). Depois de tantas mulheres, ele podia ter qualquer uma, mas quem ele ama mesmo é a Annie, que também foi vencedora de uns Jogos, e que depois de ter assistido à morte do colega masculino do seu distrito, ficou um bocadinho avariada mentalmente. E eles casam no Distrito 13, e têm um bolo que o Peeta fez (vá lá, deixou de ser mau nessa altura para fazer a cobertura do bolo...) que tinha símbolos do Distrito 4. MAS DEPOIS O FINNICK DECIDIU QUE HAVIA DE IR PARA A GUERRA E MORREU! E A ANNIE ESTAVA GRÁVIDA, DESGRAÇADO! E AGORA QUEM É QUE TOMA CONTA DELA? Ok, calma...

Quanto ao Snow, só posso dizer que esta personagem foi criada brilhantemente. O perfume a rosas, que pressupõe sempre aquele ambiente eloquente e superior, para disfarçar aquela monstruosidade toda que andava naquele encéfalo. A monstruosidade e o cheiro do sangue que lhe saía da boca. E eu até vos contava a história dele, mas vos deixar aqueles que ainda não leram com água na boca (só posso dizer que a sede de poder trás mais tragédia do que as pessoas pensam).

 

É isto por hoje. Se quiserem ler uma trilogia young-adult que não se foque em lamechice romântica e trate o que realmente importa sobre o sermos pessoas numa sociedade que se diz evoluída, a importância da camaradagem e o não nos submeter-mos ao que os outros querem só porque são mais poderosos, aqui têm uma boa sugestão. (Deixem os filmes de lado, está mais que provado que os livros são sempre melhores - mas não deixem de ver, quer dizer, aquele Liam Hemsworth... AHHHGG!)