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feel the pages

uma fangirl obsessiva compulsiva opina e partilha a sua experiência sobre livros de ficção

sobre o blog

uma fangirl obsessiva compulsiva decidiu fazer um blog onde opina e partilha a sua experiência sobre livros de ficção, alguns já existentes em portugal, alguns ainda em tradução e outros sem lançamento previsto nesta miniatura de país.

remember. (QUASE) TODAS AS REVISÕES TÊM SPOILERS, POR ISSO BE AWARE!

Ler na Escola

Hey, mais uma vez vos trago um tag que vi no youtube (original aqui) - que novidade. Mas, e até posso estar errada, penso que desta vez em vez das respostas curtas habituais, hei-de conseguir dar umas opiniões bem contruídas e partilhar os meus pontos de vista (que são muitos) àcerca deste assunto.

 

ESCOLA PRIMÁRIA

1 - Quais as técnicas que os professores deveriam utilizar para incitar o gosto pela leitura?

Eu ouvi isto há muito pouco tempo na televisão e concordo plenamente: em vez dos professores estudarem a história e a matemática que vão ensinar, deviam ter aulas de pedagogia. E também de psicologia e afins. Porque o essencial é perceber que cada aluno é diferente e, ainda para mais nestas idades, tem gostos especiais. Existe muita gente a sugerir ler Harry Potter nesta altura, mas apesar de eu amar o universo da J. K. Rowling, e apesar de ser na altura em que eu andava na primária que surgiram estes livro, a verdade é que não me despertaram o interesse até eu estar no final do 2º ciclo.

Acho que seria interessante os professores ou educadores aferirem (com um questionário ou pela simples observação da interacção entre os miúdos) os interesses de cada elemento da turma e escolherem dois livros (e sugeria os livros infantis do género dos da Sophia de Mello Breyner Anderson, que era o que eu gostava na altura, porque não vale a pena escolehr livros com grandes review quando depois os moços se perdem porque não têm interesse nenhum na forma como as palavras estão arranjadas ou como o autor escolhe metáforas para explicar situações que eles nem sequer conhecem na sua ingenuidade infantil) que respondam aos interesses de todos. Depois, por exemplo, à sexta feira (que é quando os miúdos estão mais agitados) fazê-los sentar em rodinha numa parte da tarde (sim que demanhã não há quem lhes prenda a tenção para isso) e ler uns capítulos do livro e para estratégicamente numa determinada parte para os deixar com vontade de saber o que vem a seguir e na próxima semana já estarem entusiasmados para a hora da leitura, fazendo-os também discutir e argumentar em relação ao que acabaram de ler.

 

 



2 - Achas que é da responsabilidade da escola instigar o gosto pela leitura?
Penso que si, tem um papel fundamental, mas não é o único. Eu falo por mim, o meu pai sempre me aconselhou a ler *cough chantagem emocional por eu querer uma agenda do Winnie the Pooh*, e em casa sempre tive livros desde que era muito bebé - tipo aqueles que é 'olha isto é um peixe, olha isto é uma girafa' - que ainda hoje guardo religiosamente porque foram os primórdios do meu amor pela leitura. Mas nem sempre todos têm esta sorte, e por isso acho que a escola tem uma responsabilidade enorme. É claro que não se pode querer que todos gostem de ler, porque também nem todas as pessoas gostam de peixe cozido, mas pelo menos pô-los a ouvir ou tentar mostrar-lhes que é bom ler, mas sem os obrigar, porque aí é que eles vão odiar livros. Lembro-me perfeitamente que na minha altura, tinha um coleguinha que agora penso que devia ser desléxico, porque tinha imensas dificuldades a ler, e a professora, ao aconselhá-lo a ler mais, tanto o ajudou a ultrapassar essa dificuldade como lhe aguçou o gosto pelos livros.

3 - Qual foi o livro que mais gostaste de ler na primária?
infelizmente, o noss sistema não promula assim tanto a leitura nas escolas (ok, existe o Ler+ mas daí até as escolas básicas implementarem isso vai um grande desvio), mas lembro-me que adorei A Menina do Mar e ainda hoje quando leio o livro acho imensa piada à história e aos valores que transmite (é claro que os piquenos nunca percebem, por isso é que é bom ler os livros infantis agora que já temos alguma maturidade).


ESCOLA SECUNDÁRIA
1 - Achas que deviam ser incorporados livros YA (Young-Adult) no plano nacional de leitura? Se sim, quais?
Obviamente que eu concordo com a incorporação de YA nas escolas. Na minha experiência (e pela observação das sugestões para o plano de leitura), o ministério foca-se muitos nos Clássicos, porque assume que as pessoas, no secundário, já têm maturidade para perceber todos os problemas do mundo e mais alguns. Como eu sou torta, e só agora nos 20's (ainda tenho 19) é que gosto de YA depois da pancada dos clássicos, este método educativo nunca me fez grande confusão, mas a verdade é que agora já dei por mim imensas vezes a ler um livro e a pensar 'isto devia ser lido na escola', quer no secundário ou no 3º ciclo. Entre as minhas sugestões estão o Harry Potter, todos os livros do John Green, o The Perks of Being a Wallflower, Os Jogos da Fome, Before I Fall... Principalmente distopias e contemporâneo, são as minhas sugestões.

2 - Achas que é importante ler livros de diferentes nacionalidades?
A minha opinião neste tópico não é muito bem formada, porque eu leio maioritariamente livros de escritores dos EUA, as também não me foco muito no país de origem do autor e sim na história que está escrita. Uma história é boa em qualquer parte do mundo e qualquer pessoas de qualquer nacionalidade pode ter o dom de fazer grandes obras primas. Ainda assim, concordo que ler sobre outras culturas, especialmente se gostamos de um certo país, traz muito sobre a cultura desse país, ainda para mais se for escrita contemporânea. Nunca li nada do Haruki Murakami mas estou doida para ler Os Passageiros da Noite, quero muito ler a Anna Karenina e o Guerra e Paz do Tolstoi, porque o meu pai sempre teve esses livro cá em casa (na verdade estam ambos dividido em dois volumes, com letras minúsculas) e penso que isso só vai aguçar o meu amor pelo Japão e pela Rússia. Portanto... Sim, devemos ler livros doutros países.

3 - Qual foi o livro que menos gostaste de ler no Ensino Secundário?
Memorial do Convento, sem sombra de dúvidas. Aliás, eu nem sequer li o livro. Li o primeiro capítulo sozinha e chateei-me com aquela escrita de nhanha. Depois fui acompanhando os excertos que liamos nas aulas, comprei um livrinho amarelo e preto (óptimo! vende-se nas superficies comerciais, tem imensos títulos) que me resumia o livro todo e foi assim que fui para exame, onde não saiu nada do Memorial. Não li mais nada do Saramago para poder comparar, apesar de ter curiosidade em relação ao Ensaio sobre a Cegueira e As Intermitências da Morte, mas não gostei do género de escrita que ele escolheu para o Memorial, achei super cansativo, confuso, não se percebeu metade do encadeamento da história... Enfim, houve partes que até achei interessante, mas depois acabava-se-me logo o entusiasmo porque me matavam com palavras que eu não percebi ou ideias que não estavam bem explícidas... Uma perda de tempo, qualquer dia vendo o livro. (Outro livro da escola que eu odiei, mas que não foi no Secundário foi O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá).

PARA O INFINITO E MAIS ALÉM
1 - Achas que deveriam dar enfâse à escrita creativa?
Não. Quer dizer... Não sei bem. Eu tento escrever porque sou feliz a ler e achei piada criar as minhas próprias histórias, mas sei perfeitamente que o meu jeitinho é nenhum (até porque só tenho brainstorms feitos e não livros), mas existe imensa gente que é feliz só a ler. Acho que devia ser experimentado na escola, quando os professores conseguissem notar uma aptidão nata nas composições e nos momentos para escrita (e eu adorava detestava que me dessem limite de palavras, porque eu adoro exprimir as minhas ideias - os outros ficavam todos mal dispostos por ter de escrever 300 palavras e eu ficava chateada por só poder escrever 300; claro que passava quase sempre o limite e depois tinha de andar a riscar).

2 - Como é que achas que a leitura na escola te afectou na leitura que fazes agora?
Esta pergunta não tem muito por onde pegar (pelo menos para mim), porque mesmo na escola foram poucos os livros que eu de facto detestei ler, e em paralelo lia os meus em casa. Acho que não me influenciou em nada, sempre tive gostos literários muito bem defenidos e leio o que gosto. Também penso que as leituras do secundário não influenciam ninguém, para ser honesta, porque as pessoas focam-se muito nos aspectos literários, como as figuras de estilo e as epopeias e os romances renascentistas e afins, e não se focam muito na mensagem. Para mim o melhor livro que eu li durante o meu secundário foram Os Maias, mas grande parte do livro (até á página 500) detestei, porque era um exagero de descrição e momentos filosóficos que não lembram a ninguém, e que só agora percebo a função disso; só que o que me chateava não eram os momentos de folia e boa vida que a ellie social levava (porque isso eu também poderia ler para meu próprio entretenimento) e sim o que é que isso iria contribuir para o meu desenvolvimento como aluna. sei que isto pode parecer controverso, mas de facto eu adorei Os Maias pela mensagem que passou (que foi a partir da página 500 com todo o romance proibido). Acho que é nisso que os professores e formadores se devem focar: na mensagem, independentemente de ser um clássico ou um YA contemporâneo ou um livro de fantasia sobrenatural ou épica (que é visto pelos professores de português como um demónio porque acham que é muito irreal e não transmite nada).

3 - Se tivesses de escolher um livro dos que leste neste último ano fora da escola para ser incorporado nas escolas, qual seria?
Esta pergunta não se aplica muito para mim, visto que num curso da área da saúde só leio calhamaços com conceitos científicos que só a nós nos interessam. Vou aplicar esta pergunta aos livros que li para meu prazer, e vou escolher o Delirium, apesar de não ter tradução em Portugal. Apesar da trilogia não ter tido um final maravilhoso com eu gostava que tivesse tido, acho que se fosse traduzido cá, seria uma mais valia, porque mais uma vez, é uma distopia e nos tempos que correm é preciso conhecer formas de de sobreviver fora da aperto governamental.

E pronto é tudo, espero que tenham gostado e partilhem as vossas opiniões comigo.