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feel the pages

uma fangirl obsessiva compulsiva opina e partilha a sua experiência sobre livros de ficção

sobre o blog

uma fangirl obsessiva compulsiva decidiu fazer um blog onde opina e partilha a sua experiência sobre livros de ficção, alguns já existentes em portugal, alguns ainda em tradução e outros sem lançamento previsto nesta miniatura de país.

remember. (QUASE) TODAS AS REVISÕES TÊM SPOILERS, POR ISSO BE AWARE!

Delirium

 

Autora: Lauren Oliver

Sem Lançamento em Portugal aquando da Revisão

 

Sinopse

Ninety-five days, and then I'll be safe. I wonder whether the procedure will hurt. I want to get it over with. It's hard to be patient. It's hard not to be afraid while I'm still uncured, though so far the deliria hasn't touched me yet. Still, I worry. They say that in the old days, love drove people to madness. The deadliest of all deadly things: It kills you both when you have it and when you don't.
Lauren Oliver astonished readers with her stunning debut, "Before I Fall." In a starred review, "Publishers Weekly" called it "raw, emotional, and, at times, beautiful. An end as brave as it is heartbreaking." Her much-awaited second novel fulfills her promise as an exceptionally talented and versatile writer.

 

Opinião

É inacreditável. Como é que eu posso baralhar-me tanto? Os livros que eu acho fantásticos e que guardo religiosamente nos confins da minha memória para que sejam só do meu conhecimento especial, estão traduzidos. Este, que eu tinha a certeza ABSOLUTA SINTÉTICA ANALÍTICA que já havia nas livrarias, não existe traduzido. E isto está-me a fazer uma confusão tremenda, porque eu podia-vos jurar que quando a Worten começou a vender livros, este era um dos que lá estava (daí eu pensar que havia em português).

 

 

 

Confesso que sou um pouquinho esquisita em relação ao género literários. Por muito que eu queira ler romance histórico, acabo por me aborrecer. Mas desde que me foi apresentado o The Hunger Games (revisão aqui) o gostinho por distopias aguçou-se, o que deu num já avantajado número de livros do género no meu Goodreads. Até porque eu acredito que o fim do mundo há-de ser um apocalipse zombie.

 

Anyway, no inicio achei um bocadinho estranho os cenários não serem os típicos pós-apocalipticos: vivia tudo numa cidade, com áreas ricas, e electrodomésticos e carros... Só depois quando se começou a perceber que afinal alguns carros estavam só estacionados á porta de casa como troféus e que a electricidade era cara é que se começa a ter percepção de que de facto é uma distopia. 

Os primeiros capítulos podem chegar a ser entediantes, porque é onde se apresenta a história e a forma como as coisas funcionam, e não há grande desenvolvimento da acção. Quando as vacas entram em acção, aí que é que começa a aquecer! (sim vacas, daquelas de quatro patas e que fazem 'muuuuu')

 

Há que reconhecer que é uma história muito original. Se pensarmos bem, quando imaginamos apocalipse, ou é algo com aliens ou zombies ou guerra... Mas ter uma destruição parcial do mundo porque se considera o amor uma doença? É completamente diferente de tudo o que eu poderia imaginar. E embora haja pessoas que possam pensar que esta série é a falar sobre os benefícios que o amor trás, e que é importante amar-mos e sermos amados, não é nada disso que este livro fala. Sim, existe uma relação amorosa com um rapaz que a Lena acha fantasticamente lindo que se descobre no meio das vacas (salvo-seja) e até existe a reflexão de como este sentimento é importante, mas não passa daí, isto não é um livro do Nicholas Sparks.

 

O essencial desta história e aquilo que se deve reter é o quanto podemos ser enganados, o quão oprimidos podemos ser, o quanto nos podem manipular e moldar. Não sou especialmente interessada em política, mas este tipo de assuntos alertam-me. Não é novidade para ninguém que os Governos podem de facto fazerem o que bem lhes apetece com as sociedades. Neste momento, pode estar a acontecer a maior tragédia alguma vez vista e nós aqui na ignorância. Existem mentiras e esquemas e falcatruas que estão sempre a ser postos em práticas, dizem eles para a melhoria das comunidades.

E o facto das pessoas se alhearem completamente a estes problemas só mostra o quanto 'curados' nós já estamos. Andamos aqui, a saltitar de um lado para o outro, ao sabor da maré e ninguém ganha dois neurónios para pensar que está mal e que precisamos de revolução! (eish eu sou bué dramática, revolução logo! xD)

 

O Delirium está espectacularmente bem escrito e estruturado, tem o 'best of both worlds' do young-adult distópico e o que é fundamental a este género de livros, que é pôr-nos a pensar e relacionar aquele universo fictício às situações reais. Gostei imenso da forma como a Lena, a pouco e pouco, vai percebendo que existem certas coisas que estão erradas e que não temos de abanar sempre a cabeça como aqueles cãezinhos que se põem na parte de trás dos carros. É claro que o Alex tem um papel fundamental nesta epifania. Pessoalmente, não o acho especialmente charmoso nem irresistível; o que de facto me apela nele é o sentido critico que ele tem e a maneira como passa despercebido no meio de toda aquela gente sem cérebro - a vantagem de não terem massa cinzenta é não terem de se preocupar com zombies -. Ah! e a maneira como ele recita poesia, que é uma coisa digna! Mas pronto, até é um bocadinho romântico, vá :$

 

“You have to understand. I just want to be happy.” I can barely get the words out. My mind is a haze, full of smoke—nothing exists but his fingers dancing and skating over my skin, through my hair. I wish it would stop. I want it to go on forever. “I just want to be normal, like everybody else.”


“Are you sure that being like everybody else will make you happy?” The barest whisper; his breath on my ear and neck, his mouth grazing my skin. And I think then I might really have died. Maybe the dog bit me and I got clubbed on the head and this is all just a dream—the rest of the world has dissolved. Only him. Only me. Only us.
 
“I don’t know any other way.” I can’t feel my mouth open, don’t feel the words come, but there they are, floating on the dark.
He says, “Let me show you.”


And then we’re kissing.

 

Não é lindo, não é tão 'fofi' *o*? Como podem ver, apesar de toda a temática governamentalista, ainda existe espaço para todo um fan-girling histérico e com movimentos bruscos xD

 

Recomendo muito este livro para quem, como eu, não percebe nada de politica mas tem uma opinião a dar. Para quem se está a marimbar para a politica, recomendo também, porque é um young-adult muito forte, cheio de segredinhos e mistérios que ninguém desconfia e que mais tarde ou mais cedo são descobertos porque a verdade vem sempre ao de cima, ainda que a mentira seja muito plausível. Boas leituras!