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feel the pages

uma fangirl obsessiva compulsiva opina e partilha a sua experiência sobre livros de ficção

sobre o blog

uma fangirl obsessiva compulsiva decidiu fazer um blog onde opina e partilha a sua experiência sobre livros de ficção, alguns já existentes em portugal, alguns ainda em tradução e outros sem lançamento previsto nesta miniatura de país.

remember. (QUASE) TODAS AS REVISÕES TÊM SPOILERS, POR ISSO BE AWARE!

As Cinquenta Sombras de Grey (Fifty Shades of Grey)

 

 

Autora: E.L. James

Edição Portuguesa: Lua de Papel

 

Sinopse

As Cinquenta Sombras de Grey é um romance obsessivo, viciante e que fica na nossa memória para sempre. Anastasia Steele é uma estudante de literatura jovem e inexperiente. Christian Grey é o temido e carismático presidente de uma poderosa corporação internacional. O destino levará Anastasia a entrevistá-lo para um jornal universitário. No ambiente sofisticado e luxuoso de um arranha-céus, ela descobre-se estranhamente atraída por aquele homem enigmático, sombrio, cuja beleza corta a respiração. Voltarão a encontrar-se dias mais tarde, por acaso ou talvez não. O implacável homem de negócios revela-se incapaz de resistir ao discreto charme da estudante. Ele quer desesperadamente possuí-la. Mas apenas se ela aceitar os bizarros termos que ele propõe... Anastasia hesita. Todo aquele poder a assusta – os aviões privados, os carros topo de gama, os guarda-costas... Mas teme ainda mais as peculiares inclinações de Grey, as suas exigências, a obsessão pelo controlo… E uma voracidade sexual que parece não conhecer quaisquer limites. Dividida entre os negros segredos que ele esconde e o seu próprio e irreprimível desejo, Anastasia vacila. Estará pronta para ceder? Para entrar finalmente no Quarto Vermelho da Dor?

 

Opinião

Primeiro que tudo, acho fantástico como é que uma fanfiction do Crepúsculo consegue chegar a livro. Vai para além de mim, quer dizer, deve ser o sonho de todas as escritoras amadoras. Eu lembro-me de ler um bocadinho (ok, um bocadão) do Master of the Universe, mas é só mesmo disso que me lembro, e da cena da entrada da Bella no escritório, que ficou igual à do livro. Aliás, quem ao contrário ode mim seguiu as actualizações da Snowqueens Icedragon não achou diferença nenhuma nas palavras a não ser o nome dos personagens.

Quando eu peguei no Fifty Shades, foi completamente à toa, porque diziam que era o livro da moda, e que tinha sadomasoquismo e blá blá blá... Andei não sei quanto tempo para decidir se de facto lia ou não, porque a minha ideia de sadomasoquismo não me convidava o suficiente para ler sobre isso. Para mim eram algemas, chicotes, mordaças, cera quente e umas mentes um bocado desequilibradas. Não que a minha ideia tenha mudado, atenção. BDSM comigo não dá, é completamente... Ok, eu não vou julgar porque cada um tem a sua maneira de atingir prazer e eu não sou ninguém para falar. Adiante. Depois de andar para a frente e para trás, decidi que as aulas de genética num auditório quase às escuras onde só se viam powerpoint sobre cromossomas e mecanismos de transmissão genética seriam muito melhor passadas a ler. E ela aí foi. Tirando o primeiro capitulo que já tinha lido no fanfiction.net, foi tudo correndo bem ao inicio. Existiam cenas românticas, encontros ao acaso, piadas provocadoras, tudo como se fosse uma história escrita pelo Nicholas Sparks. E depois, BADABUM TUM TUM! Eis que ela chega. Do pé para mão, a Anastasia perde a virgindade com um estranho (sim porque o Christian é quase um estranho), encontra todo um quarto cheio de berloques que ela (e eu) mal sabia que existiam e depois de sofrer na pele a mão pesada do Sr. Grey, acha que aquilo é demais e rói a corda. E isto é basicamente o resumo do livro xD

 

 

 

 

Começando agora com a enorme lista de incongruências deste livro: em vez de falarem como duas pessoas do mundo civilizado que estão interessados (ainda que a atracção seja estritamente sexual) um no outro, não! Utilizam uma série de e-mails tótós onde se tratam por Mister Grey e Miss Steele e o raio. Se isto fosse uma história real, eu tinha pena daqueles telemóveis e teclados, porque visto que era a única maneira de eles terem uma conversa (ainda que não fosse de jeito), devem ter sofrido. Mais, como é que alguém que se diz tão inteligente, e com a cabeça em cima dos ombros e os pés bem assentes na terra vai para a cama com um senhor só porque ele tem um ar bastante misterioso e sexy?

Outra: como é que alguém que perdeu a virgindade, vá, no máximo um mês depois de conhecer o senhor, e que nunca tinha tido experiencias de cariz sexual pode falar da sua Inner Goddess? (que pelos vistos ficava ao rubro quando o Grey era mais mauzão - mas não tanto quanto ela depois descobriu que ele era - com ela). E por fim, e porque eu não posso estar aqui interminavelmente, como é que alguém que se sujeita a estar num quarto, ajoelhada e de olhos no chão, só em cuecas, e obedecer ao que o rapaz quer como se não tivesse dois neurónios para tomar decisões próprias fica muito ofendida e abandona tudo e todos quando leva umas valentes palmadas no rabo? Se calhar achava que as ordens que ele lhe dava no Red Room of Pain vinham directamente do seu coração de ouro...

Honestamente, não sei o que é que me levou a continuar a ler esta saga, porque a escrita é do mais vulgar que vocês possam imaginar, as cenas de sexo são mais ordinário possível (a sério, eu já li romances eróticos com muito mais qualidade a nível luxurioso do que isto - e que de facto põe a Inner Goddess de todas as mulheres a rugir) e as personagens não têm tanto carácter quanto isso (aliás não têm nenhum, isto é basicamente um roteiro de um filme tirado do redtube, extended version).

O que eu posso dizer no final disto tudo é que a leitura do Fifty Shades me preparou para tudo. Depois disto, acho que já mais nada me espanta...