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feel the pages

uma fangirl obsessiva compulsiva opina e partilha a sua experiência sobre livros de ficção

sobre o blog

uma fangirl obsessiva compulsiva decidiu fazer um blog onde opina e partilha a sua experiência sobre livros de ficção, alguns já existentes em portugal, alguns ainda em tradução e outros sem lançamento previsto nesta miniatura de país.

remember. (QUASE) TODAS AS REVISÕES TÊM SPOILERS, POR ISSO BE AWARE!

Antes de Vos Deixar (Before I Fall)

  

 

Autora: Lauren Oliver

Edição Portuguesa: Editorial Presença

 

Sinopse

Samantha Kingston tem tudo: o namorado com quem sonhava, três melhores amigas formidáveis e os privilégios que a sua popularidade lhe pode oferecer. Sexta-feira, 12 de Fevereiro, devia ter sido um dia igual a tantos outros. Nada faria suspeitar que iria ser o último… Mas então é-lhe concedida outra oportunidade. Durante uma semana, Samantha vai reviver o último dia da sua vida, tentando perceber os mistérios que envolvem a sua morte e descobrindo o valor de tudo o que está prestes a perder.

 

Opinião

Uau, acabei de descobrir que há tradução deste livro. Afinal ainda há editoras a trabalhar bem... Nunca imaginei xD

Descobri a existência deste livro através da trilogia Delirium - a qual ando para ler há que tempos - e tenho a certeza que se for escrito com a mesma simplicidade que este 'Antes de Vos Deixar', vou amar os livros com toda a certeza.

 




Quem lê a sinopse do livro pode pensar que é uma história do estilo do filme que a Lindsay Lohan fez quando ainda não era agarrada à coca, em que facilmente a personagem principal se apercebe dos erros que cometeu no passado e muda drásticamente de atitude do dia para a noite e no final fica tudo feliz e contente. Desenganem-se já! Este pequenino tesouro não tem um final feliz e a Samantha não é de todo uma menina que acha que algo está mal com a vida dela. Aliás para ela está tudo bem. Digamos que eu classificava isto como um crossover entre Mean Girls e o tal Freaky Friday, juntamente com o Friday the 13th.

E vocês perguntam, mas então o que é que o dia 12 de Fevereiro teve de tão especial (para além dela ter morrido num acidente de viação) para a Samantha ter de o repetir vezes sem conta? Aparentemente era uma espécie de Dia de S. Valentim antecipado (porque pelas contas, dia 14 calhava num domingo), que ela e o grupinho de amiguinhas populares que ela tem adoram porque é o dia em que se recebem rosas de admiradores e das pessoas que gostam delas. E claro que quantas mais, melhor! Mas é também durante esse dia que a Samantha mostra o quão cruéis conseguem ser com pessoas que nunca lhe fizeram mal, só porque sim (porque a Lindsay quer) e desdenhar quem lhe quer bem (KENT!!!!).

Isto dito assim é muito simples. Todo o dia tem pormenores específicos que depois de se ler a passagem da Samantha pelo mesmo dia várias vezes, se percebe o quão importantes são. Infelizmente existe um certo glamour associado às meninas populares (perdoem-me esta expressão, mas  não encontro mais nenhuma para descrever aquele género de raparigas que só se preocupa com futilidades e que comem os gajos todos e são umas bestas sem inteligência) e por mais que digamos que não, todas nós raparigas temos um bocadinho de mean girl dentro de nós (SOMOS DESCENDENTES DO DIABO MUAHAHAH).

Na primeira vez que lemos o dia da Samantha, existem coisas que nos passam completamente ao lado, porque é o que estamos habituados a ouvir ou assistir que acontece nas vidinhas daquele tipo de gente. E apesar de eu me estar a referir ao grupinho de lindinhas com muita veemência, quero acrescentar que apesar de serem todas umas tolas, a Sam lá no fundo até tem bom coração.

Foi sem dúvida uma mais valia ter lido um livro como estes. Posso dar-vos um cheirinho ao dizer-vos algumas das peripécias que acontecem naquele dia, mas também se vos contar tudo, perde a graça (e eu sei que digo sempre isto, mas neste caso perde mesmo o interesse): enviam uma rosa à Juliet Sykes para gozarem com ela, a Sam ignora a rosa que o Kent (que é o amiguinho de infância dela e que tem uma crush um bocado evidente nela), tem pensamentos totalmente idiotas porque supostamente naquele dia iria perder a virgindade com o namorado que era jogador de futebol (lembro que na América, o top dos rapazes do ensino secundário é serem jogadores de futebol americano), copia no teste para o qual não estudou e ainda culpa a rapariga que a ajudou, balda-se às aulas para ir comer iogurte com a Lindsay, assiste ao encontro totalmente romântico num restaurante chinês entre um rapazito e a sua amante (sim, amante, não namorada) e vai a uma festa onde, juntamente com as amiguinhas, acabam por gozar ainda mais com a Juliet. No final da noite, morre. Como podem ver, é um dia em cheio!

Penso que enquanto me lembrar, não me hei-de arrepender de ter lido este livro. É sem dúvida um estilo de purgatório muito bem desenvolvido. Claro que nos primeiros dias uma cabecinha tão oca como a da Sam não se iria aperceber que algo tinha de acontecer, mas ela lá redescobre a sua inteligência e começa a dar valor às atitudes que tem e à forma como trata as pessoas, deixando de ser influenciada pela Lindsay e pela cabecinha também oca que ela tem (aviso-vos já que a Sam é uma santa ao lado desta rapariga). Finalmente ela percebe que o tão querido Robert é na verdade uma nhanha mesmo grande e que é o Kent que ma trata bem e como ela merece (se não existissem momentos fofos, claro que não gostava tanto do livrito xD), que nem sempre as nossas atitudes nos definem enquanto pessoas (e que a tal amante, que toda a gente achava que era a maior vaca de sempre, até é bem fixe) e que não existe razão nenhuma para sermos más só porque 'é a lei da vida'.

Sei que é muito estranho partilhar isto convosco, mas devo dizer que a minha personagem favorita de todos o livro foi a Juliet Sykes. Esta rapariga passa por tanto. É a vitima de bullying mais bem estruturada que eu tive a oportunidade de ler. O desespero, o sofrimento, a vida que ela tem em casa, o final que ela teve... Excepcional. Muito bem construído.

Esta história é cheia de mistérios (e o mais idiota, mais estúpido de todos é o porquê da Lindsay odiar tanta a Juliet - honestamente, é uma coisa que me fez imensa aflição, porque eu não conheço ninguém assim tão mesquinho, mesmo dentro daqueles grupos de gente que eu não gosto - mas eu também sou bicho de livros, nerd, por isso quando não gosto não me dou com essa gentalha) e detalhes característicos de uma geração jovem, mas tem uma mensagem muito especial e evidente. Recomendo vivamente; não vou dizer que representa a geração jovem e mais balelas, mas representa sem dúvida os segredos que cada um de nós é capaz de ter e que ninguém imagina, e que faz os outros pensarem que não existem problemas nenhuns na nossa vida e que corre tudo às mil maravilhas.