Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

feel the pages

uma fangirl obsessiva compulsiva opina e partilha a sua experiência sobre livros de ficção

sobre o blog

uma fangirl obsessiva compulsiva decidiu fazer um blog onde opina e partilha a sua experiência sobre livros de ficção, alguns já existentes em portugal, alguns ainda em tradução e outros sem lançamento previsto nesta miniatura de país.

remember. (QUASE) TODAS AS REVISÕES TÊM SPOILERS, POR ISSO BE AWARE!

Nómada (The Host)

Título Em Português: Nómada

Título Original: The Host

Autor: Stephenie Meyer

Lido em: Inglês

 

Sinopse:

Melanie Stryder recusa-se a desaparecer.
O nosso Mundo foi invadido por um inimigo invisível. Os Humanos estão a ser transformados em hospedeiros destes invasores, com as suas mentes expurgadas, enquanto o corpo permanece igual.
Quando Melanie, um dos poucos Humanos "indomáveis", é capturada, ela tem a certeza de que chegou o fim. Nómada, a Alma invasora a quem o corpo de Melanie é entregue, foi avisada sobre o desafio de viver no interior de um humano: emoções avassaladoras, recordações demasiado presentes. Mas existe uma dificuldade com que Nómada não conta: o anterior dono do corpo combate a posse da sua mente.
Nómada esquadrinha os pensamentos de Melanie, na esperança de descobrir o paradeiro da resistência humana. Melanie inunda-lhe a mente com visões do homem por quem está apaixonada – Jared, um sobrevivente humano que vive na clandestinidade. Incapaz de se libertar dos desejos do seu corpo, Nómada começa a sentir-se atraída pelo homem que tem por missão delatar. No momento em que um inimigo comum transforma Nómada e Melanie em aliadas involuntárias, as duas lançam-se numa busca perigosa e desconhecida do homem que amam.

 

 

Opinião com Spoilers:


Quando eu vi pela primeira vez o tamanho deste livro na fnac, ia-me dando uma coisinha má. Sim, é, eu sou capaz de ler um livro em dois dias senão tiver mais nada para fazer mas quando vejo um livro com mais de 500 páginas assusto-me.

Eu não gosto de aliens, nem ficção cientifica, nem nada que tenha a ver com extraterrestres (com excepção de Roswell e Star Wars), mas decidi dar uma oportunidade a este livro porque tal como a Stephenie dizia, era um livro de ficção cientifica para quem não gosta de de ficção cientifica. E toda a gente dizia 'como é que alguém que escreve o Crepúsculo escreve um livro tão bom como este?'. Ora, se eu já tinha gostado do Crepúsculo, como é que não ia gostar deste? E tal provou-se. Para mim, este livro foi tão, tão, TÃO!

Ok, no inicio confesso que não gostei nada, MAS MESMO NADA, de uns seres lá vindos não sei de onde, chegarem aqui à Terra e invadirem isto como se fossem quarentonas num concerto do Tony Carreira no Pavilhão Atlântico. Especialmente porque andavam atrás das pessoas como se fossem caçadores em embuscadas. E como não gostei nada, deixei de ler o livro. E só voltei a lê-lo passado um tempo, quando não tinha mais nada para ler. Retomei do ponto onde o tinha deixado, e só posso dizer que não me arrependo de nada.

 

 

 

 

Ao principio é do mais aborrecido que possam imaginar, com a adaptação da Wanda ao corpo da Melanie (e a Melanie a recusar ficar calada - GO MELANIE!) e o ser professora para aliens e o viver num apartamento novo... Realmente o que faz prender a atenção do leitor nestas alturas é mesmo a vontade de ler mais sobre a história da Melanie e do Jared, que ocorre durante flashes nocturnos entre sonhos. A primeira memória é um pouco estranha, quer dizer não se conhecem de lado nenhum, pensam que são aliens, mas depois apercebem-se que de facto são humanos e o Jared espeta-lhe logo ali um beijo. Quer dizer... Não é assim muito normal, mas é isso que faz o livro. As memórias que vêm a seguir é que são de valor. E para quem gosta do tema de sobrevivência/fugitivos há de facto cenas muito boas: o andarem a fugir de tudo e de todos, só os três (com o irmão da Melanie fazem 3), tornarem-se uma familia, e entre isso apaixonarem-se... Enfim.

No entanto, não é isso que me fez adorar ler este livro. Isto de Homens de Negro ou Predadores não tem nada. Esta não é uma história de salvação da humanidade ou de luta contra invasores. É sobre o mantermo-nos fieis a nós próprios, a nossa identidade e os nosso valores. É sobre não desistirmos quando já tudo parece perdido. É sobre não baixarmos as armas depois das batalhas perdidas. (ena, para quem odeia frases feitas, estás muito inspirada hoje, Cláudia -.-) É sobretudo sobre tolerância e respeito para com aqueles que são diferentes de nós, porque o conjunto não define o individual. Porque é sempre muito fácil dizer que não somos racistas ou homofóbicos ou xenófobos (isto agora aplicando à vida real). O que não é nada fácil é mantermo-nos verdadeiros a esses valores. Embora todos conheçamos uma pessoa dentro destes grupos excluídos pela sociedade que é diferente, e que se assemelha a nós, existe sempre uma piada mais infeliz, ou um comentário mais desagradável, e isso só acontece porque nos deixamos levar com ideais distorcidos criados por uma sociedade que se diz desenvolvida.

Mas isto não é só recursos humanos. Aliás, só depois do final (que é a coisa mais fofa que eu já vi, a sério, eu quero abraçar aquela gente que também acolheu outros aliens) é que dá para reflectir filosoficamente sobre o significado desta história. Também há lá romance há mistura, e triângulos amorosos (de facto é mais um quadrado com um lado invisível, visto que há duas pessoas no mesmo corpo com sentimentos diferentes por pessoas diferentes), ou não fosse isto escrito pela autora do vampiro brilhante.

 

Bom, e é tudo. Só tenho a dizer que é na realidade, muito diferente do Crepúsculo. Tão diferente como a água do azeite.